Na realidade se levarmos em conta o real significado da palavra “qualidade” não usariamos o termo correcto no sentido do dicionário, porém são várias as conotações e denotações na Língua Portuguesa.

Quando os negros chegaram ao Brasil, oriundos de várias cidades e regiões Africanas, levaram com eles várias formas de se assentar os Orixás. Temos como exemplo os que vieram da região do Daomé, a actual República do Benin, onde só faziam os Orixás Nanã, Omulú, e Oxumaré.

Os que vinham da de outras regiões, só faziam os orixás dessa região de onde originavam, como por exemplo, em Oyo só se faziam os vários Xangôs, os provenientes de Ketu, só faziam os Odés e assim por diante.

Ao chegar ao Brasil, esses conhecimentos, que antes faziam parte da sabedoria de uma região específica, de uma cidade ou de uma tribo, passou a ser, todo esse conhecimento, parte de uma só casa. Dessa forma, os Baba ou Iyà, que só sabiam fazer Xangô, por exemplo, começaram a ter acesso aos fundamentos para fazer um Oxóssi, uma Oxum, um Ogum etc.

Se continuarmos a análise veremos também que dentro de uma determinada região que detinha o conhecimento para fazer um Oxóssi, poderia, ainda dentro dessa mesma região, ter diferentes formas e fundamentos no modo de fazer e assentar um mesmo Orixá; foi isso o que veio no Brasil e também em Portugal, a ser reconhecido como o que chamamos QUALIDADE.

Sei que muitos poderão não concordar com a utilização deste termo – QUALIDADE – e também não tenho a pretensão de discordar ou concordar, ou mesmo de passar orôs, discutir se o termo QUALIDADE estará certo ou errado, porém, caso se prove de facto estar errado, o que importa aqui é passar as várias formas de se conhecer como eram vistos os diversos Orixás, e como eram cultuados nas várias tribos, cidades e regiões Africanas.

Outro aspecto muito importante é desmistificarmos o fato de que determinado santo nao esta completo se nao for posto esse ou aquele elemento, deixando assim a energia de ser energia. Isso é um mito, e a prova disso é que muitos obrigacionados, depois de anos, complementam seus ibás com novos oros afim de melhor apurar a energia. Todavia, isso nao desmerece aquele orixa, nem muito menos, o ibá ou a mao que um dia esteve ali presente atuando com cinco buzios a mais ou a menos, o orixa respondeu, atuou e te deu caminho. Isso é o que é valido, isso é o que chamamos de compreençao, de sabedoria.